Flat Tire

Por spadotto

16/02/2021

  • SOBRE TREINOS

120 libras!

 

Com o crescimento do triathlon e concomitantemente o aumento dos praticantes de ciclismo nos últimos anos, é cada vez mais comum escutarmos sobre acidentes de todos os níveis envolvendo esportistas, ciclistas e triatletas.

Não é de hoje que a falta de educação dos atletas, associada a uma falta de posicionamento das assessorias esportivas, tem elevado de forma exponencial os acidentes, sendo muitos deles graves.

Em São Paulo sempre tivemos como referencia de local de treinos de ciclistas e triatletas, além das estradas que se tornaram cada vez menos amigáveis, a USP, Base Aérea em Guarulhos, o Riacho Grande (EV) e mais recentemente a ciclovia (há uns 13 anos mais ou menos).

 

100 libras!

 

Alguns pontos importantes sempre nos chamaram atenção…

Um dos maiores fatores que levaram à proibição do uso da USP por ciclistas, e em um segundo momento a liberação de um horário reduzido, foi a grande falta de respeito do ciclista (triatletas ou não) com toda a comunidade da USP – corredores, carros, ônibus…etc. Vale lembrar para os mais novos no esporte, que não é a primeira vez que a USP decide impor regras ou proibições. Em 2005, já com este mesmo argumento de falta de respeito dos praticantes, a USP fechou suas portas para ciclistas. Naquele momento todos tiveram que se adaptar aos rolos (não tínhamos ainda a ciclovia), que na época eram apenas os famosos rolos “livre” ou o trainer de ferro mesmo (quem sabe, sabe…).

 

80 libras!

 

Outro ponto que também chama a atenção é que o crescimento destas modalidades atraiu um público grande que muitas vezes nunca teve a oportunidade de pedalar de forma mais “competitiva” na rua, e que também possui acervo motor reduzido. Não digo isto de forma pejorativa, apenas é um fato de que algumas pessoas possuem maior destreza em cima de duas rodas por conta de experiências na infância/adolescência do que outras.

Não é incomum ver atletas que não sabem conduzir suas bicicletas em linha reta, não sabem conduzir apenas com uma mão (não dominante), não possuem habilidades para saltar ou desviar de buracos ou mesmo para fazer uma curva mais fechada para direita e para esquerda, entre outros problemas que observamos. Seja em um percurso plano ou com subidas/descidas (mais perigoso ainda), este ponto é consideravelmente relevante e afeta a segurança do próprio ciclista e daqueles que o cruzam. Lembrando que hoje existem profissionais que podem auxiliar na aquisição e treinamento destes pontos fracos, vale considerar.

 

50 libras!

 

Bom, os atletas (de São Paulo, pelo menos) não têm aonde treinar e os poucos espaços ainda restantes são de alto risco devido ao número crescente de atletas em um espaço consideravelmente reduzido. Conta básica né?

Neste mesmo espaço reduzido, atletas mal preparados/orientados em sua maioria e com altas expetativas de performance disputam metro a metro estes espaços com o propósito de não perder o pelotão ou seus PRs, Watts, KM/h…  Entendem muito de FTP e TSS, mas de sinalização básica em cima de uma bicicleta, passam longe!

Assessorias esportivas formam pelotões para treinar (há mais de 20 anos temos os famosos avançados, intermediários e iniciantes), o que além de não fazer sentido pelo tipo de provas que participam (triathlon), ainda incentiva a ”roda” liberada e aumenta e muito o risco de quedas, principalmente com grupos grandes.

Pedalar com alguém é diferente de pedalar em pelotão perseguindo altas velocidade. Não é questão de pedalar totalmente sozinho, é questão da situação que é gerada quando a preocupação é não perder a roda.

 

10 libras!

 

Pouco espaço + Pouca habilidade + Muita velocidade + Muita gente…

É com tudo isto exposto acima e com a falta de mobilização e conscientização de todos que fica a pergunta…
O que estamos deixando para as próximas gerações de atletas?

Com certeza um mal exemplo do que se fazer ou mesmo de como se comportar. E em algum momento e de alguma forma…todos pagaremos algum preço.

 

Flat tire!

 

 

Training smarTT

Wagner Spadotto