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Princípios do Treinamento Esportivo

Os princípios do treinamento estão relacionados com uma série de leis que compreendem as alterações biológicas observadas com o treinamento. Através um longo período de tempo, a sistematização das atividades envolvendo muitas variáveis fisiológicas, psicológicas e sociológicas alteram todo um padrão inicial levando à melhora dos índices funcionais de um indivíduo.  

De forma simples, o treinamento esportivo reúne todo o processo para obter algum ganho no rendimento, sendo que aletas mais treinados apresentam maiores dificuldades para obter alterações funcionais que obriguem o organismo a garantir um rendimento superior

Sendo assim, no momento de planejar o treinamento o coach precisa ter algumas normas e leis como fundamento. Estas são conhecidas como os “Princípios do Treinamento”.

Os princípios do treinamento pautam as intervenções que devemos realizar ao longo do planejamento, considerando as modificações necessárias para que haja melhora de “performance”, desta forma gerando adaptações positivas e buscando alcançar níveis superiores para cada momento dentro do ciclo.

Existem várias “escolas” que tratam dos princípios do treinamento. Fizemos aqui uma pequena análise e abordaremos cinco princípios para uma melhor compreensão da importância destas leis dentro de todo o processo que a Spadotto Triathlon Team realiza com seus atletas.

1. PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA:
Esta é uma das principais exigências do treinamento moderno. Cada individuo apresenta atributos fisiológicos, psicológicos e sociológicos em condições únicas. Frequentemente, treinadores aplicam abordagens não científicas ou copiam treino de atletas profissionais para amadores.

Temos sempre que lembrar que somos seres biológicos e que a matemática aqui pode funcionar (e muito provavelmente funciona) diferente para cada um de nós. Tendo em vista essa premissa, a individualização da carga gerará melhores resultados, quando tomamos como base as necessidades, características e momento (fase, idade, gênero) de cada atleta.

2. PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE:
Este princípio impõe que o treinamento deve ser estruturado com foco na performance esportiva e considerando as características da prova em si, além de levar em conta a capacidade física predominante, o sistema energético, segmentos corporais e coordenações psicomotoras.

A especificidade está presente durante todo o ciclo do treinamento, porém se apresenta mais evidente quanto mais próximos estamos da competição. Durante o processo do treinamento, este princípio está ligado diretamente com o gesto específico, ângulos e aplicações relacionados a tudo o que envolve o nadapedalacorre e transições.

3. PRINCÍPIO DA SOBRECARGA:
São estímulos programados através de um caráter sistêmico, gerando um estresse e obrigando o organismo a se defender e preparar o corpo para posteriores esforços similares,  sendo a relação entre sobrecarga e adaptação extremamente complexa.

Esta sobrecarga resulta em uma cascata de respostas adaptativas que eleva o potencial de suportar maiores cargas bem como o aumento da performance. Lembrando que a falta de um ajuste preciso no estímulo (ou o desrespeito ao planejamento) pode levar o atleta a falta de adaptações ou a um possível “overtraining”, acarretando prejuízos que muitas vezes levam meses para o corpo voltar ao padrão de treino anterior. Quando o organismo absorve de forma correta o estímulo de treino e gera uma adaptação positiva, a carga deve ser aumentada para que as adaptações continuem acontecendo. Sendo assim temos sempre uma relação ideal entre carga aplicada e tempo de recuperação em um processo que é conhecido como supercompensação.

4. PRINCÍPIO DA REVERSIBILIDADE:
‘O que não se usa, perde-se’, (Barbanti 2010). Esse princípio garante que as alterações corporais obtidas com o treinamento sejam transitórias. Desta forma, toda a modificação gerada pelo treinamento físico retornará aos níveis iniciais após a sua interrupção, falta de rotina ou carga incorreta.

Esse retorno aos valores pré-exercício está ligado diretamente a velocidade de aquisição, sendo que atletas com as maiores exposições conseguem manter por mais tempo os ganhos adquiridos. Para evitar uma estagnação da performance os estímulos devem estar direcionados a uma adaptação positiva da carga, e isso está ligado com outro princípio, chamado de aumento progressivo da carga.

5. AUMENTO PROGRESSIVO DA CARGA:  
Sempre que aplicamos uma determinada carga ao corpo tende a se adaptar. Ser aplicarmos a mesma magnitude de carga por um longo período de tempo, não haverá incremento no rendimento.

Por isso o aumento progressivo é fundamental para gerar adaptações em sistemas energéticos, cardiovasculares, hematológicos, hormonais, vegetativos, entre outros, alterando a homeostase destes sistemas e criando novas adaptações.  

Tendo em vista todo o esclarecido acima, fica claro que na hora de periodizar utilizamos uma série de princípios, respeitamos a individualidade de cada atleta e suas necessidades, onde a carga de treino tem um caráter progressivo, ondulatório e cíclico, variando os estímulos com um equilíbrio entre a carga e a recuperação.

A nossa equipe se preocupa muito com o desenvolvimento individual de cada atleta, por isso siga sempre seu planejamento. Ele foi feito para você!

Prof. Valtinho Cuba – Coach TT

Prof. Wagner SpadottoHead Coach

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
● ROLDÁN AGUILAR, E.E. Bases Fisiológicas de los Principios del Entrenamiento Deportivo, Revista Politécnica, Junio 2009 – ISSN 1900-2351, Año 5, Número 8.
● Treinamento Esportivo, Fundação Vale, UNESCO, Brasília 2013.
● BOMPA, T.O.; HAFF, G.G. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. São Paulo: Phorte editora, 2012.

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