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Musculação e Ciclismo

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Sempre escutamos a clássica pergunta “eu devo fazer musculação?”

Acreditamos que a falta de informação de forma geral, leva os atletas a se questionarem da importância e os possíveis benefícios do trabalho resistido. Não é incomum, atletas de “endurance” acharem que o trabalho resistido pode deixa-los mais lentos e que ficar muito pesados (musculosos), poderia atrapalhar os ritmos dos treinos e provas.

No caso de ciclistas alguns conceitos e tipos de treinamento, estão bem estabelecidos pela literatura.

Um dos principais conceitos é que o trabalho resistido aumento a força máxima em ciclistas de “endurance”, reduzindo a quantidade de fibras necessárias para gerar determinada execução de movimento em níveis de potência máxima e submáxima. Essa adaptação é extremamente positiva, uma vez que atletas de longa duração, se tornam mais econômicos, mantendo um alto nível de potência por mais tempo e consequentemente, mais resistentes.

De fato, Aagaard et al (2011), investigou as respostas do treinamento resistido na composição corporal e performance de 14 ciclistas da seleção Dinamarquesa, sub 23. Neste estudo ficou demostrado que os atletas que realizaram o treinamento resistido + treino de ciclismo (TR), por 16 semanas (2 á 3 x/sem.), tiveram uma melhora nos testes comparativos de potência média de 5’min e no contra relógio de 45’ em relação aqueles atletas que não realizaram o treinamento resistido (T). Não foi observada nenhuma alteração na Massa Corporal entre ambos os grupos, mas no grupo TR, foi observado um aumento da massa magra, enquanto no Grupo T isso não ocorreu. 

Quanto as adaptações Neuromusculares, chegou-se à conclusão de que o Treinamento Concorrente (resistido + resistência) resulta em ganho de força muscular sem a presença de hipertrofia muscular. 

Foi observado que a proporção de Fibras Musculares do Tipo II A (contração rápida) aumentaram de 26% para 34% e as Fibras do tipo II B diminuíram de 5% para 0,6% (isso apenas no Grupo TR).  Além disso, foram observados ganhos de  força muscular máxima e força rápida, o que provavelmente tiveram relação direta com a melhora do Grupo TR no teste de contrarrelógio.

Os principais exercícios estão ligados a grandes grupos musculares e devemos considerar que o ciclismo tem um componente concêntrico maior do que comparado com a corrida. Exercícios que privilegiam a ativação da musculatura estabilizadora do tronco (mais conhecido por CORE) são muito bem vindos, uma vez que durante o ciclismo os atletas devem tentar manter seu tronco estável durante o ato de pedala, evitando o gasto de energia desnecessário.  

Um outro estudo realizado por Bazyler et al., (2015) ressalta que principais exercícios são o levantamento terra, agachamento livre, afundo, agachamento com salto e o trabalho pliométrico. No entanto, devemos ter diversas ressalvas na execução desses exercícios. A vida cotidiana dos atletas, principalmente amadores, trás vícios mecânicos e motores que potencializam diversas dificuldades na execução desses exercícios que deveriam ser vistos como “básicos”. 

Em geral, a grande maioria dos atletas apresenta um grande déficit de mobilidade de quadril/tornozelo, além de grande fraqueza na musculatura central do corpo (CORE), muitas vezes ocasionados pelo fato de que passam a maior parte do dia sentados atrás de uma mesa de escritório. 

Já o trabalho de Pliometria a principal ressalva está na capacidade de absorver o impacto na hora da aterrissagem. Costumo usar muito a frase: “Saltar, qualquer um salta. Agora aterrissar, já é outra história”. É muito comum vermos alunos/atletas aterrissarem com joelhos e quadril travados diminuindo muito a capacidade do corpo de absorver o impacto de forma natural e menos lesiva. 

Desta forma, devemos sim realizar um bom trabalho resistido, mas antes de iniciar qualquer programa de fortalecimento observar, o grau de mobilidade articular de cada atleta, seu nível de força de musculatura estabilizadora central e sua coordenação em absorver impactos na hora dos saltos.

Prof. Marcelo Sanvicente – Coach TT

Prof. Wagner Spadotto

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Aagaard, P. et al. Effects of resistance training on endurance capacity and muscle fiber composition in young top-level cyclists. Scand J Med Sci Sports 2011: 21: e298–e307

Bazyler, Caleb D.; Abbott, Heather A.; Bellon, Christopher R.; Taber, Christopher B.; Stone, Michael H. Strength Training for Endurance Athletes: Theory to Practice. Strength & Conditioning Journal: April 2015 – Volume 37 – Issue 2 – p 1-12

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